Tudo sobre a Agricultura Biológica
Sexta-feira, 17.02.12

O volume de negócios da agricultura biológica em Portugal atinge mais de 20 milhões de euros e cresce 20% anualmente, com a área cultivada a aumentar 60% no último ano, segundo o ministério da Agricultura.

Num documento sobre a presença portuguesa na maior feira europeia de produtos biológicos, a Biofach, que decorre até sábado em Nuremberga, o secretário de Estado da Agricultura salientou que a área de produção de produtos biológicos em Portugal cresceu 60% no último ano.

José Diogo Albuquerque, sublinhou a importância desta actividade «para a economia portuguesa que pode aumentar as suas exportações para os maiores e mais exigentes mercados europeus, como a Alemanha que tem um mercado que vale cerca de 5,9 mil milhões de euros por ano e produz apenas para cerca de metade das suas necessidades».

Pela primeira vez, Portugal esteve representado nesta feira através de 26 produtores de produtos biológicos e pelas Organizações de Produtores Agrobio e Associação de Defesa do Património de Mértola.

O sector estima que o volume de negócios ronda os 20 a 22 milhões de euros por ano, com uma taxa de crescimento de 20%.

Existem em Portugal 5.847 produtores agrícolas biológicos que cultivam uma superfície total de 210.981 hectares, o que representa cerca de 5,5% da superfície agrícola utilizada, ligeiramente acima da média comunitária, indica o ministério da Agricultura.

Hipers prometem dar preferência a produtos nacionais

As empresas de distribuição comprometeram-se esta sexta-feira a dar preferência aos produtores nacionais de hortofrutícolas, através de um protocolo assinado com a Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP).

O protocolo assinado entre estas entidades visa «estimular o acesso de produtos hortofrutícolas» aos hipermercados, bem como a criação de uma organização interprofissional do sector hortofrutícola que contribua «para um melhor conhecimento e transparência dos mercados».

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição destaca que «cerca de 80% dos produtos hortofrutícolas oferecidos pela distribuição moderna são nacionais» e adianta que os hipermercados trabalham com mais de 8.000 produtores e organizações de produtores.

No entanto, subsistem alguns problemas que se pretende ultrapassar com o protocolo de colaboração, nomeadamente a sazonalidade da produção, dificuldades de implementação do associativismo e eficiência na produção.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

 

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Sábado, 12.11.11
O número de produtores que se dedica à agricultura biológica nos Açores mais do que duplicou em menos de cinco anos, mas continua a ter uma expressão reduzida no arquipélago, existindo atualmente apenas 46 produtores certificados.

A maioria dos produtores, segundo dados divulgados nas Jornadas de Agricultura Biológica, encontra-se em S. Miguel (23), seguindo-se S. Jorge (10), Terceira (7) e Faial (6), num total de 263,73 hectares de área cultivada. Em 2006 o número de produtores biológicos nos Açores era de apenas 20, distribuídos por S. Miguel, Terceira e S. Jorge, abrangendo uma área total de 66,5 hectares. Na intervenção que proferiu nestas jornadas, o secretário regional da Agricultura, Noé Rodrigues, recordou a existência de apoios financeiros para incentivar o aparecimento de mais produtores nesta área. "Existe um conjunto de incentivos para os agricultores biológicos, no sentido de se organizarem, conquistarem mercados e valorizarem a agricultura biológica", frisou. Por seu lado, o eurodeputado socialista Luís Paulo Alves também salientou que a União Europeia reserva, no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), um lote de apoios à produção biológica, dirigidos à comercialização, produção e certificação. Incentivar a produção biológica é também o objetivo das Jornadas de Agricultura Biológica, que decorreram no Faial, como sublinhou o presidente da Junta de Freguesia da Praia do Norte, Estêvão Gomes, promotor do encontro. O autarca salientou que as jornadas são úteis para os agricultores que querem "apresentar um produto de qualidade e diferenciado", mas também para o "cidadão comum, que tem uma horta e ambiciona produzir de uma forma mais ecológica". "Os Açores possuem condições naturais ímpares, nomeadamente o clima e o terreno, que são excecionais para a produção agrícola de forma biológica e que é indispensável aproveitar", afirmou. A agricultura biológica distingue-se pela forma de produção, que exclui quase todos os produtos químicos e recorre às rotações de culturais, a estrume animal e a resíduos orgânicos da exploração. No ano passado, em Portugal, as vendas de alimentos produzidos em regime biológico ascenderam a 25 milhões de euros, num mercado que cresce, a nível europeu, entre 10 e 15 por cento ao ano.

fonte:http://www.acorianooriental.pt/

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Quinta-feira, 03.11.11

Uma iniciativa da Interbio - Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, o evento pretende ser um espaço para conhecer, debater, mostrar, comparar e provar produtos da Agricultura Biológica, através de um vasto conjunto de atividades de Norte a Sul do País.

É já no próximo dia 18 de novembro, sexta-feira, que terá início a Semana Bio 2011, que se prolongará até ao dia 27, domingo.

Uma iniciativa da Interbio – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, aquela que é a Semana Nacional da Agricultura Biológica pretende ser um espaço de informação sobre os produtos biológicos elucidando sobre aspetos que vão desde as vantagens que apresentam relativamente aos produtos de agricultura convencional, à enorme variedade disponível, passando pelo modo como são produzidos e comercializados.

O objetivo é conhecer, debater, mostrar, comparar e provar produtos de Agricultura Biológica, o que será possível através de um vasto conjunto de atividades que inclui palestras, visitas a quintas, animações em lojas e restaurantes, ações dirigidas à comunidade escolar mas também ao público em geral, que decorrerão de Norte a Sul do país.

No âmbito da Semana Bio terá ainda lugar a Conferência “Política Nacional para a Agricultura Biológica – Para Quando?” no dia 18, na Biblioteca Municipal do Campo Grande (Lisboa), que contará com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros em políticas agrícolas e/ou Agricultura Biológica como sejam os Professores Francisco Avillez, Nicolas Lampkin e Otto Schmidt.

fonte:http://naturlink.sapo.pt/

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Sexta-feira, 23.09.11

A agricultura biológica é um sector em crescimento em todo o mundo. Em Portugal, em 2010, as vendas de alimentos produzidos em modo de produção biológica ascenderam a 25 milhões de euros, mas o sector vive limitado pela ausência de uma verdadeira política de desenvolvimento do sector.

É neste cenário que decorrem, no Auditório Vita, o 3º Colóquio Nacional de Horticultura Biológica e o 1º Colóquio Nacional de Produção Animal Biológica. Os dois encontros juntam técnicos e produtores, nacionais e estrangeiros, apostados em contribuir mais para a oferta alimentar, reduzindo ao mesmo tempo os impactos negativos da agricultura convencional ou intensiva.

Na sessão de abertura dos dois colóquios, a vereadora da Câmara da Póvoa de Lanhoso, Fátima Moreira, defendeu que a agricultura representa um potencial de desenvolvimento dos territórios, pelo que os políticos devem ter a noção de que “o futuro de Portugal passa por aí”.

A autarca destacou o “percurso pequeno, mas com resultados visíveis” da câmara povoense no sentido da dinamização de modo de produção biológica. Neste concelho há 13 produtores certificados e foi introduzido o modo de produção biológica do porco bísaro. A câmara local está a desenvolver com sucesso o projecto das hortas sociais biológicas e criou um gabinete de apoio ao bioagricultor.

Biológico custa mais 30% 

Os produtos biológicos registam, em média, preços ao consumidor 30% acima dos da agricultura convencional, pelo que a comercialização é um dos grandes desafios que se colocam ao sector em Portugal.

Carlos Vicente, empresário que se dedica à venda de produtos em modo de produção biológica em Lisboa veio a Braga testemunhar que o crescimento desta actividade “tem sido limitado pela falta de uma política para o desenvolvimento da agricultura biológica”, mas também pela ausência de “melhor coordenação entre profissionais do sector, que deveriam ocupar as lacunas do mercado em vez de competir directamente”. A criação de supermercados 100 por cento bio é sugerida por Carlos Vicente.

Luís Alves, que comercializa plantas aromáticas, constata que “o sector da agricultura biológica apresenta um crescimento gradual e estável, fruto do aumento da procura mundial”.
“A agricultura está de volta. Os agricultores, as suas práticas sustentáveis e o seu investimento são necessários, na paisagem e na sociedade contemporânea, mais do que nunca”, afirma.

Isabel Mourão, dirigente da Associação Portuguesa de Horticultura e professora na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, defende “ a produção de alimentos de uma forma que mantenha a terra mais saudável e garante alimentos para o futuro”.
Sobre o óbice que constituem os custos para o consumidor, aquela técnica ressalva que “a agricultura convencional não paga todos os custos”, nomeadamente os que têm a ver com a poluição e utilização de recursos naturais. Por seu lado, “a agricultura biológica poupa nos efeitos laterais e negativos”.

Isabel Mourão vê o Entre Douro-e-Minho como “uma região dinâmica” no modo de produção biológica, sobretudo no que diz respeito a produtos vegetais, considerando muito positivas as experiências recentes das hortas sociais e da horticultura urbana.
O regresso de muitos citadinos à horta é explicado por Luís Alves pelo facto de muitos consumidores já não estarem “dispostos a consumir um produto biológico produzido em enormes monoculturas. 

De acordo com este participante nos colóquios que decorrem até amanhã, organizados pela Associação Portuguesa de Horticultura e Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica, “o sector da agricultura biológica apresenta um crescimento gradual e estável, fruto do aumento da procura a nível mundial”. Até as “grandes companhias de produtos alimentares já compreenderam este fenómeno e têm investido no sector”.

fonte:http://correiodominho.pt/

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Quarta-feira, 21.09.11

O 3.º Colóquio Nacional de Horticultura Biológica e 1.º Colóquio Nacional de Produção Animal Biológica que se realizam de 22 a 24 de Setembro, em Braga, foram apresentados, a 15 de Setembro, no Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos na Póvoa de Lanhoso.

 

A Vereadora da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Fátima Moreira, a representante da Associação Portuguesa de Horticultura, Isabel Mourão, e o representante da Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica, José Pedro Araújo, apresentaram os eventos, seu programa, intervenientes e temas a serem discutidos, bem como objectivos e expectativas.

 

Estes colóquios que se realizam em Braga, no Auditório Vita, resultam de uma organização conjunta entre a Associação Portuguesa de Horticultura e a Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica, contando com o apoio institucional da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e de outras entidades. “Esta será uma oportunidade ímpar para falar da importância da agricultura biológica. Está na hora de olharmos para a agricultura, sobretudo para a que tem práticas amigas do ambiente, como motor para o desenvolvimento dos territórios e como uma alavanca importantíssima para combater a desertificação dos territórios”, referiu a Vereadora da Câmara Municipal Povoense.

 

“Em territórios como o nosso, de baixa densidade, urge ter estratégias de desenvolvimento assentes na preservação do ambiente, da qualidade de vida, filosofia que este modo de produção agrícola defende e que deve ser também uma filosofia defendida nas estratégias políticas. Por isso, é com muita satisfação que a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso se associa a esta iniciativa”, salientou ainda, de entre outros aspectos, Fátima Moreira.

 

A preocupação com o ambiente, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida das populações, com a implementação da Agenda 21 Local, por um lado; a dinamização do Centro da Bioeconomia, com a criação de Hortas Biológicas, do Gabinete de Apoio ao Bioagricultor e de uma bolsa de terras, e a promoção de eventos, por outro lado, são alguns dos exemplos do trabalho da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso ao nível das políticas ambientais e de promoção da agricultura biológica e dos produtos biológicos.

 

Local para troca de conhecimentos e de experiências

 

O 3.º Colóquio Nacional de Horticultura Biológica e 1.º Colóquio Nacional de Produção Animal Biológica são o principal fórum de intercâmbio técnico-científico dos agentes ligados ao sector da Agricultura Biológica, sector que, cada vez mais, assume grande importância económica, ambiental e social, em Portugal, como em todo o Mundo.

 

Pretende-se que constituam uma oportunidade de troca de experiências e de destaque dos trabalhos de investigação relacionados com as técnicas, que visam o aumento da produtividade em consonância com a sustentabilidade agroecológica, sócio-territorial, sócio-económica. É ainda uma oportunidade para abordar questões actuais, como a biodiversidade, o consumo de produtos biológicos e saúde, os desafios da agricultura na sustentabilidade ambiental e alimentar e o contributo da ‘agricultura social’ para o desenvolvimento regional.

 

Especialistas nacionais e estrangeiros irão partilhar experiências, conhecimentos e propor novas ideias, sendo esperados mais de 300 participantes, em representação das instituições de ensino superior, de ciência e tecnologia, do sector produtivo, da agro-indústria e da comercialização.

 

Programa

 

Dia 22/9/2011

 

8.30 h - Registo, inscrição e entrega de documentação

 

9.30 h - Sessão de Abertura

 

10.00 h - Sessão plenária 1 - Biodiversidade e Agricultura Biológica

 

11.15 h – Café

 

11.30 h - Sessão temática 1 (Aud.) - Culturas Hortícolas e Plantas Aromáticas e Medicinais

 

Sessão temática 2 (S1) - Alimentação, Saúde e Bem-estar Animal

 

13.00 h – Almoço

 

14.30 h - Sessão plenária 2 - Agricultura Biológica na Sociedade

 

16.30 h - Café16.40 h - Sessão de painéis

 

17.00 h - Sessão temática 3 - Fruticultura, Viticultura e Olivicultura

 

18.30 h - Visita guiada a Braga

 

20.00 h - Jantar do Colóquio

 

Dia 23/9/2011

 

9.30 h - Sessão temática 4 - Estratégias de Protecção das Culturas

 

11.00 h – Café

 

11.15 h - Sessão plenária 3 - Alimentos Biológicos e Saúde

 

12.30 h - Almoço14.00 h - Sessão temática 5 (Aud.) - Pós-colheita, Qualidade e Consumo

 

Sessão temática 6 (S1) - Sistemas de Produção, Transformação e Qualidade dos Produtos Animais

 

15.30 h – Café

 

16.00 h - Sessão plenária 4 - Desafios da Agricultura na Sustentabilidade Ambiental e Alimentar

 

17.30 h - Sessão de Encerramento

 

Estratégia Europa 2020 - Investigação em Agricultura Biológica

 

Dia 24/9/2011

 

Visitas técnicas a explorações biológicas na Região Norte e na Galiza

fonte:http://www.gazetarural.com/

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Sexta-feira, 16.09.11


A Junta de Freguesia de Alcaria, Porto de Mós, decidiu plantar um quintal biológico e já está a colher frutos: unir gerações, alimentar a vizinhança e criar movimento numa terra que não chega aos 300 habitantes.

Se Alcaria fosse uma grande escola, o quintal biológico que ali floresce seria o recreio onde, ao final da tarde, se juntam agora casais novos e avós com os netos à ilharga.

Sete dos canteiros já têm dono e há um guardado para as crianças com deficiência de Porto de Mós, explicou a presidente da Junta, Benvinda Januário, acrescentando que quando houver dinheiro haverá uma casa de madeira a vender produtos locais.

Entre dois cravos turcos que servem para afastar os insectos, Francisca Carvalhana Santos arrasta um regador sob o olhar atento dos avós, os minifundiários do canteiro número nove. Ignora o regulamento recentemente publicado pela Junta de Freguesia e que disciplina o quintal e rega tudo, seja no canteiro da família ou dos vizinhos que desconhece.

 

O irmão, de um ano, tão silencioso quanto aplicado, também não sabe a quem pertencem os canteiros, mas parece ter a certeza que as ervilhas, alfaces, couves, hortelã e coentros têm de ser constantemente mexidos para vingarem. A avó, Otília Carreira, traz uma courgette gigante na mão direita e a receita na ponta da língua: “estrumo, sacho para tirar as ervas daninhas, rego e espero que elas cresçam”.

O marido, Armando Santos, foi quem construiu os canteiros. Ambos moram a poucos metros do quintal. E têm uma outra horta, em casa.

Experiência, proximidade e a ajuda dos netos. Eis como se faz uma rica horta e como “se deixa de ir ao mercado, que os tempos estão difíceis”, sublinha Otília Carreira, já de fugida, porque tem de ir alimentar as galinhas.

Paulo Santos trabalha em marketing. Olha para a alface que tem na mão e já sabe como vender a quem não conhece o Quintal Biológico que o atrai quase todos os dias: “esta alface é de produção própria e vem do nosso pedaço de terra no paraíso”. O que o trouxe ao projecto foi “sobretudo o convívio, depois dos dias de trabalhos puxados”. Entre a troca de sementes e algumas palavras, até “se conseguem resolver alguns problemas fora do âmbito do cultivo”.

Celsedina Martins vem todos os dias de Porto de Mós, que fica a cinco quilómetros. Realça que nesta horta onde cresce a camaradagem às vezes chega-se ao quintal e o canteiro já foi regado por um dos vizinhos.

Francisca, “apanhada” ainda de regador em punho, diz porque gosta tanto do Quintal Biológico de Alcaria, com a simplicidade infantil que os seus seis anos a obrigam: “porque a horta tem bons alimentos para o nosso corpo e para o cálcio”.

No futuro, promete a Junta de Freguesia, haverá banquinhos para descansar e conversar. A ideia “é a partilha de experiências e que as pessoas aqui esqueçam o trabalho”, defende Benvinda Januário.

fonte: ecosfera

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Sábado, 25.06.11

É cada vez maior o número de pessoas que estão buscando uma alimentação mais saudável, na tentativa de resgatar um tempo em que ainda era possível ter à mesa alimentos frescos, de boa qualidade biológica e livres de agrotóxicos.
Hoje em dia, esse tipo de alimento pode ser encontrado, com alguma facilidade - pelo menos nas grandes cidades - nos supermercados, lojas especializadas e feiras de produtores. São os “alimentos orgânicos”, produzidos segundocritérios rígidos de qualidade, por agricultores que fazem parte de associações de agricultura orgânica. Eles utilizam apenas métodos e práticas ecológicas em suas plantações.

Formam um grande movimento, bastante organizado, coordenado mundialmente pela IFOAM - International Federation of Organic Agricuture Movements (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica), com sede na Inglaterra.

O Instituto Biodinâmico - IBD, que há vinte anos atua no campo de pesquisa e desenvolvimento da agricultura orgânica e biodinâmica no Brasil, define, assim, um produto orgânico:

“...é muito mais que um produto sem agrotóxicos e sem aditivos químicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos e outros), conservando-os no longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. 

 

 

Para ofertar ao consumidor alimentos saudáveis e nutritivos, o agricultor deve trabalhar em harmonia com a natureza, recorrendo aos conhecimentos de diversas ciências como a agronomia, ecologia, sociologia, economia e outras. A produção orgânica obedece a normas rígidas de certificação que exigem, além da não utilização de agrotóxicos e drogas venenosas, cuidados com a conservação e preservação dos recursos naturais e condições adequadas de trabalho.”

 

E tanto o consumidor quanto o produtor tem visto a agricultura orgânica com bons olhos, veja os dados na página seguinte.

Mercado que cresce ano a ano

A quantidade de agricultores que estão optando por plantar seguindo o método orgânico cresce ano a ano. Comparando os dados obtidos no ano 2000 com os de 2006, vemos que a área plantada no mundo duplicou.

Área plantada de alimentos orgânicos

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) realizou em Roma, entre 3 e 5 de maio de 2007, a Conferência Internacional sobre Agricultura Orgânica e Segurança Alimentar, ressaltando a importância da produção desse tipo de alimentos para o mundo. Segundo o documento que foi apresentado:

- “a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos, pois já é praticada atualmente em 120 países, representando 31 milhões de hectares e um mercado de U$ 40 bilhões de dólares em 2006... 

Quando lavouras certificadas estão relacionadas a melhorias agroecológicas e aumento de renda de agricultores pobres, isto leva ao aumento da segurança alimentar e à revitalização da agricultura familiar... 

Esses modelos sugerem que a agricultura orgânica tem o potencial para assegurar o abastecimento global de alimentos, assim como a agricultura convencional faz hoje, mas com reduzido impacto ambiental”.

Segundo pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp), o mercado de produtos orgânicos cresceu, na década de 90, em média 50% ao ano, chegando a uma receita de US$ 150 milhões. O consumo interno respondeu por US$ 20 milhões apenas, o restante foi exportado para países como Alemanha, França, Japão e Estados Unidos.

Agora, em 2007, já estamos em outro patamar, bastante mais elevado. Segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as vendas de produtos orgânicos no país devem superar R$ 1,25 bilhões em 2007, com aumento de 25% em relação a 2006. A estimativa é da Associação Brasileira de Supermercados - Abas.

Brasil já é o segundo maior produtor de orgânicos do mundo e o setor tem 70% de suas vendas voltadas para o mercado externo. Com 800 mil hectares de área cultivada, envolvendo 15 mil produtores, dos quais 80% são pequenos produtores, o país fica atrás somente da Austrália. A produção certificada como orgânica é bastante extensa e diversificada. Inclui, além de frutas e verduras, laticínios, café, cachaça, açúcar, sucos, geléias, azeite de dendê, guaraná, cacau, mel, algodão, óleo de babaçu, soja, arroz, carne de gado, de frango, ovos, extratos vegetais, chás, camarão, cogumelos etc. 

Os maiores consumidores do mundo são: a Comunidade Européia, Japão, Estados Unidos.

O expressivo crescimento do setor de alimentos orgânicos (o setor que mais cresce dentro do mercado de alimentos no mundo) levou os governos dos mais diversos países a criarem suas legislações específicas para esse tipo de produto e a estabelecer programas de incentivo e pesquisa. No Brasil, temos o “Pró-Orgânicos”, programa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atuando através de sua Comissão Nacional e das Comissões Estaduais. Nossa Legislação para o setor é a seguinte: a Instrução Normativa n . 007, de 17 de maio de 1999; a Instrução Normativa n º. 016, de 11 de Junho de 2004; a Lei n º. 10.831, de 23 de Dezembro de 2003 e a Portaria n º. 158, de 08 de Julho de 2004.

Uma excelente oportunidade para se ter um panorama do que acontece no mercado de produtos orgânicos é um grande evento internacional, que ocorre anualmente, a Feira BioFach América Latina. 

História da agricultura orgânica

A história da agricultura orgânica é antiga. Começa no século 19 e chega aos dias de hoje, com final feliz. Vamos dividi-la em alguns momentos importantes, para que você entenda um pouco sobre as discussões que se travaram, ao longo dos anos, em torno do assunto.

Os fertilizantes químicos são descobertos.


Até os meados do século XIX, o descanso da terra e a utilização de esterco eram as únicas receitas conhecidas para a recuperação das áreas agrícolas, eram as maneiras que os agricultores utilizavam para recolocar o solo em condições de produzir. Foi quando um pesquisador alemão, Justus von Liebg, descobriu o efeito fertilizante do nitrogênio sobre as plantas, depois do potássio e do fósforo e de mais alguns micronutrientes. Foi uma revolução sem precedentes. Num terreno cansado, uns poucos quilos de adubos químicos podiam fazer aquilo que o descanso levaria anos para conseguir ou que exigiria toneladas de esterco ou de esforço humano. Mas nem todos concordaram com os novos métodos.

Alguns setores científicos rejeitaram a utilização dos adubos químicos, formando as escolas de agricultura orgânica que temos até hoje. Na primeira metade do século 20, surgiram eminentes pesquisadores, médicos e filósofos, pesquisando e propondo métodos e práticas para o incremento da fertilidade dos solos de forma orgânica, rejeitando a utilização desses novos adubos químicos, que estavam sendo utilizados. Seus trabalhos renderam bons frutos. Cada qual atuou a seu modo, em seus diferentes países, surgiram os seguidores, criaram-se escolas e institutos, desenvolvendo a fundamentação científica que embasa as práticas atuais da agricultura orgânica.

Grandes vertentes de pensamento formaram-se: a da agricultura biodinâmica, a biológica, a orgânica, a natural. Todas se reúnem hoje, num só movimento, sob a denominação de agricultura orgânica.

A seqüência, no tempo, os principais fatos e personagens, foram os seguintes:

Em 1924, o filósofo austríaco, Rudolf Steiner, apresentou uma visão alternativa de agricultura, baseada na ciência espiritual da antroposofia, aos agricultores que se preocupavam com o rápido declínio das lavouras e criações submetidas às tecnologias modernas e à química, lançando os fundamentos do que seria a agricultura biodinâmica. Nela, o agricultor procura fazer de sua propriedade um organismo integrado, com entrada mínima de recursos de fora da propriedade; utiliza preparados homeopáticos para vitalizar as plantas e estimular o seu crescimento. As idéias de Steiner foram difundidas para vários países do mundo, com a colaboração de outros pesquisadores. Nos dias atuais produtos biodinâmicos são comercializados com o selo da Associação Demeter, sediada na Alemanha e que é representada no Brasil pela Associação Biodinâmica.

Alguns anos mais tarde, nas décadas de 30 e 40 - o inglês Sir Albert Howard dá início a uma das mais difundidas correntes do movimento orgânico, a da agricultura orgânica. Sir Howard trabalhou com pesquisas na Índia durante 40 anos, publicando obras relevantes, defendendo a não utilização de adubos artificiais e, particularmente de adubos químicos, destacando a importância do uso de matéria orgânica na melhoria da fertilidade e vida do solo e que da fertilidade natural do solo dependia a resistência das plantas a pragas e doenças. No final da década de 40, nos Estados Unidos, Jerome Inving Rodale, influenciado pelas idéias de Howard, fundou um forte movimento em prol da agricultura orgânica. O Rodale Institute realiza pesquisa, extensão e ensino em agricultura orgânica até os dias de hoje.

Após os modelos criados por Steiner e Howard, também no início dos anos 30, outro biologista e homem político,  Hans Muller, trabalhou na Suíça em estudos sobre fertilidade do solo e microbiologia, criando aagricultura biológica. Esse movimento fez numerosos adeptos, destacadamente na França (Fundação Nature & Progrès), na Alemanha (Associação Bioland) e na Suíça (Cooperativa Muller). Dentro dessa tendência, cabe destacar ainda a participação de dois pesquisadores franceses considerados como personagens-chaves no desenvolvimento científico da agricultura orgânica. O primeiro é o pesquisadorClaude Aubert, que publicou L’Agriculture Biologique ou “A Agricultura Biológica”, em que destaca a importância de manter a saúde dos solos para melhorar a saúde das plantas e, em conseqüência melhorar a saúde do homem. O segundo personagem importante é Francis Chaboussou, que publicou em 1980, Les plantes malades des pesticides, traduzido para o português como “Plantas doentes pelo uso de agrotóxico: a teoria da trofobiose”. Sua obra mostra que uma planta em bom estado nutricional torna-se mais resistente ao ataque de pragas e doenças. Outro ponto que o autor destaca é que o uso de agrotóxicos causa um desequilíbrio nutricional e metabólico à planta, deixando-a mais vulnerável e causando alterações na qualidade biológica do alimento. 

Outra corrente importante do movimento orgânico é a da agricultura natural, surgida em meados da década de 1930, com o filósofo japonês Mokiti Okada que ensinava que a purificação do espírito deve ser acompanhada pela purificação do corpo, daí a necessidade de evitar os produtos tratados com substâncias tóxicas. Suas idéias foram reforçadas e difundidas internacionalmente pelas pesquisas de Masanobu Fukuoka, que defendia a idéia de artificializar o menos possível a produção, mantendo o sistema agrícola o mais próximo possível dos sistemas naturais. Na Austrália, essas idéias evoluíram nas mãos do Dr. Bill Mollison e deram origem a um novo método conhecido como permacultura.

Os venenos passam a ser utilizados na agricultura: inseticidas, fungicidas e herbicidas


O avanço desses movimentos de agricultura orgânica e das suas repercussões práticas foi barrado, a princípio, em função do forte lobby da agricultura química, ligada a interesses econômicos expressivos. Além dos adubos, um outro tipo de produtos químicos, os “cidas” - inseticidas, fungicidas e herbicidas - que conseguem matar os insetos, os fungos e as ervas daninhas que incomodam os agricultores, haviam sido desenvolvidos e estavam sendo comercializados e utilizados por todos.

O que ocorreu é que as tecnologias que tinham sido desenvolvidas durante as Guerras Mundiais foram vistas como muito úteis para a produção agrícola. Por exemplo: o produto químico nitrato de amônio, que era usado como munição, se tornou um fertilizante eficaz; os organofosforados usados na fabricação de gás foram utilizados mais tarde como inseticida; a partir do agente laranja utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã, desenvolveram-se os herbicidas, que controlam as plantas invasoras das culturas. Abriu-se espaço para um novo e lucrativo mercado.

Com esses recursos, as propriedades agrícolas começaram a obter produções incríveis. 

A química dava ao homem um poder imenso diante das adversidades da natureza que, por séculos, fizeram parte do dia-a-dia da vida no campo. Tudo muito fácil e muito simples: se a terra está cansada, não é preciso recuperá-la, basta aplicar adubo químico na planta; se a formiga aparece, você joga veneno na lavoura; se é doença de folha, aplica-se o fungicida etc, etc. Esses produtos passaram a ser utilizados em larga escala, a agricultura tornou-se completamente dependente da indústria de agroquímicos.

A utilização de inseticidas se expandiu inicialmente nos países industrializados, já sendo corrente no final da década de 1950 nos EUA, na Europa Ocidental e no Japão. Ocupados esses mercados, a expansão foi orientada para os países pobres, sobretudo para aquelas culturas que pudessem pagá-los. No Brasil, a grande expansão do uso de inseticidas ocorreu apenas nos anos de 1970, vinculada ao crédito rural subsidiado, quando a liberação do crédito foi condicionada à utilização dos agrotóxicos.

A consciência ecológica


No início dos anos 1960, a publicação do livro Silent Spring, em português “Primavera Silenciosa”, deRachel Carson, chamou a atenção da opinião pública para os danos que a utilização de inseticidas estava causando ao ambiente, inclusive a grandes distâncias das áreas de aplicação. 

Nas décadas de 1970 e 1980, sucedem-se as constatações da poluição generalizada no planeta e as conseqüentes ameaça de extinção de vários animais como os ursos polares no Ártico e exaustão iminente das reservas de importantes recursos naturais. A poluição dos ecossistemas havia atingido tais proporções que ameaçava as bases de sustentação da vida. A contaminação das águas doces e dos oceanos, a diminuição da camada de ozônio, o comprometimento das cadeias tróficas, os resíduos de agrotóxicos no leite materno e na água das chuvas, as chuvas ácidas, tudo isso não eram mais especulações ou alarmismo, mas fatos concretos e devidamente documentados. A agricultura, em particular, tornara-se a maior fonte de poluição difusa do planeta. A situação era claramente insustentável.

Para os organismos internacionais, especialmente as Nações Unidas, a postura predominante até o início dos anos 1970 era a de que toda a contestação ao modelo agrícola convencional era improcedente. Contudo, o acúmulo de evidências em contrário foi obrigando a uma mudança da postura oficial. Na seqüência de Conferências da Organização das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1972, 1982 e 1992, foi se tornando cada vez mais evidente que tanto o padrão industrial quanto o agrícola precisavam de mudanças urgentes.

Com a consciência ecológica, nos anos 1980 e 1990, a proposta de uma agricultura sustentável ganha força, entre os produtores e os consumidores e governos.

Para o grande público, até o final da década de 1970, o termo ecologia não existia. Com a crescente conscientização da magnitude dos problemas ambientais, o termo passou a ser reconhecido com facilidade, sempre associado à preservação ou recuperação do meio ambiente e à saúde das pessoas. Os produtos orgânicos, por serem identificados como ecológicos, começaram a ser muito bem aceitos pelo mercado e as iniciativas de produção orgânica passaram a ser muito bem sucedidas.

No Brasil se diversificaram os setores interessados nos métodos orgânicos. Na década de 1970, eram quase que exclusivamente os alternativos. Na década de 1980, somaram-se os movimentos ligados à agricultura familiar, e, em parte, o movimento ambientalista. A partir de meados da década de 1990, o interesse mais evidente passou a vir do mundo empresarial, especialmente de supermercados e de produtores rurais mais capitalizados. 


Como saber se um alimento é orgânico

O consumidor não conseguiria pessoalmente visitar as propriedades agrícolas para verificar se os alimentos que se dizem orgânicos foram produzidos segundo critérios realmente ecológicos. Para fazer isso, existem instituições chamadas de “certificadoras”, ligadas às Associações de Produtores.

As certificadoras orientam os produtores interessados para que tomem conhecimento das “normas” de produção orgânica. Seus inspetores visitam regularmente as propriedades agrícolas, verificando o cumprimento dessas normas e se constatarem que elas foram realmente cumpridas, autorizam aos produtores que utilizem na embalagem do seu produto o “selo de qualidade” da certificadora. Existe um contrato obrigando as duas partes: um lado cumpre as normas, o outro lado inspeciona e certifica.

De maneira que não basta que estejam impressas numa embalagem as palavras Produto Orgânico, Produto Natural, Ecológico ou qualquer adjetivo semelhante, para garantir ao consumidor o que se está dizendo. A única certeza do consumidor são os selos das certificadoras, cujos inspetores de fato, acompanharam todo o processo produtivo daquela banana, alface, palmito, cacau, açúcar, café, geléia etc.

É fácil de verificar e seguro. Aqui estão os principais Selos de Certificação no Brasil, para conhecer melhor é só clicar no selo e conhecer o seu site:


Alguns desses selos garantem que os alimentos seguem as normas de outros países também, podendo ser exportados e comercializados como orgânicos no exterior.

Se você for comprar numa feira de produtores orgânicos, não é preciso procurar pelo selo da certificadora. Todos os produtores que estão ali vendendo os alimentos estão sendo inspecionados pela associação responsável pela organização da feira.

Como se produz um alimento orgânico

Para a agricultura orgânica, a regra número um é a de não agredir a natureza, mas trabalhar em harmonia com ela. Isto porque a natureza é um sistema equilibrado, no qual tudo se relaciona, e, toda a vez que você mexe com ela, os problemas aparecem adiante, é meio como uma “bola de neve”, uma reação em cadeia. 

É muito fácil entender o que é um sistema equilibrado: é como o motor de um carro novo, zero quilômetro. Cada peça se relaciona com uma outra de maneira perfeita. É só sentar na direção, ligar o carro e vamos embora. Experimente tirar um parafuso e andar alguns quilômetros. Você vai perceber que algo não está funcionando bem, daqui a pouco o carro pode até parar até de funcionar. 

Assim é a natureza. Nela tudo funciona em harmonia. Quando uma árvore velha morre e cai no meio de uma floresta, rapidamente começam a nascer plantinhas rasteiras que criam condições para sementes de árvores germinarem - as primeiras árvores criam condições para outras maiores, os bichinhos e os fungos decompõe a árvore que caiu e ela vira novamente terra, servindo de alimento para plantas que estão se desenvolvendo na área crescerem. Em alguns anos, a floresta se recompõe e, assim, sozinha, ela se auto-regula.

Mesmo numa cidade, é fácil observar a ação da natureza. Em qualquer frestinha de chão de uma calçada, você percebe uma plantinha nascendo. É engraçado pensar assim, mas é a mais pura verdade: aquela plantinha mostra que a natureza está tentando fazer a cidade virar floresta de novo. 

Vamos utilizar um exemplo da agrônoma Ana Maria Primavesi, pioneira da agricultura ecológica no Brasil, explicando como se desequilibra um sistema vivo. Ela está contando para nós sobre o que acontece quando são derrubadas florestas para transformar a área em pastagens: 

“... o clima da região amazônica equatorial úmida parece sobremaneira favorável à produção vegetal, sendo a prova a hiléia (floresta). Mas esquece-se que o clima existe graças à mata, que, como um imenso termostato (aparelho que regula a temperatura), está evitando os extremos de temperatura. Pastagens não são termostatos e não se pode esperar a manutenção do clima amazônico após a modificação total da paisagem, trocando a mata por pastagens ...”

“... Não há dúvida que a área amazônica pode ser transformada em uma paisagem cultural, porém com a conservação dos princípios ecológicos existentes! Cada modificação impensada significa um pioramento das condições de um ecossistema extremamente delicado, muito mais delicado que o das planícies férteis, dos celeiros da antiga Grécia e Roma, que hoje estão transformados no deserto do Saara ...”

Partindo desses princípios, para não incorrer no perigo de criar desertos, vamos ver que, numa propriedade orgânica, os recursos naturais estarão sempre protegidos - as nascentes, a vegetação do topo dos morros, as matas da beira dos rios e córregos (matas ciliares). Nunca serão utilizados os venenos, que matam os animais.

Para a proteção do solo será utilizado o preparo mínimo, isto é, revolvê-lo o menos possível e de maneira adequada, para não ocorrer perda do solo por erosão (caem as chuvas e não penetram no solo como seria o normal, mas escorrem em enxurradas levando a terra embora) e também será tomado o cuidado de mantê-lo sempre protegido do sol e da chuva, com palhadas (cobertura morta ) ou , com plantas (cobertura viva).

As recomendações mais básicas são:

  • Utilize cultivos adaptados às condições locais de temperatura, chuvas, altitude e solo. As plantas vão crescer naturalmente mais fortes e vigorosas.
  • Utilize culturas resistentes a pragas e doenças, porque você não vai poder usar veneno.
  • Faça policultivo, isto é, dois ou mais cultivos plantados na mesma área. O solo vai ficar mais protegido, e ocorrerá um controle natural de pragas (uma área muito grande com uma planta somente acaba estimulando a aumento da população dos insetos que gostam de se alimentar daquela planta. Na natureza a simplificação não ocorre).
  • Faça rotação de culturas, isto é, não plante sempre a mesma coisa no mesmo lugar e não deixe os solos vazios, expostos ao sol e à chuva. Essa prática vai controlar pragas, vai proteger os solos e seus nutrientes serão melhor aproveitados. Veja um exemplo: 

    1º. Ano 2º. Ano 3º. Ano 4º. Ano
    verão Inverno verão inverno verão inverno verão inverno
           
    milho Aveia preta soja trigo soja tremoço milho trigo
    milho Trigo soja tremoço milho trigo milho aveia preta
    soja Trigo milho aveia preta soja trigo soja tremoço
    soja Tremoço milho trigo milho aveia preta soja trigo
  • Faça pousio. Na seqüência de rotação de culturas, a área é simplesmente deixada sem cultivo, em descanso, para que se recupere naturalmente mediante o crescimento das ervas espontâneas pelo período de uma estação completa de plantio - verão e inverno. 
  • Faça cercas vivas, plantando árvores ou arbustos em torno da área cultivada para protegê-la dos ventos. Também servem para diversificar o ambiente.
  • Faça áreas de refúgio, plantando espécies nativas com o objetivo de criar ambiente para a proliferação de inimigos naturais dos insetos nocivos. Conserve os fragmentos de floresta existentes na região.
  • Use adubação orgânica, nunca química. Podem ser utilizados, estercos, adubos verdes, restos culturais, compostagem, biofertilizantes, pós de rochas. Trata-se de fornecer à planta adubação equilibrada, contendo todos os elementos que ela exige, porém nas proporções adequadas às suas necessidades efetivas. Tanto o excesso como a carência de um ou mais elementos rompe o equilíbrio fisiológico normal da planta, levando ao processo de diminuição da sua resistência natural. Esses materiais também servirão para alimentar a microvida do solo, muito benéfica para as plantas, mantendo-o sempre fresco e protegido. 

Assim, é produzido um alimento orgânico. Não é difícil, mas exige por parte do agricultor, bastante observação e cuidado. Maiores orientações podem ser obtidas junto às associações de produtores, junto à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) - órgão de pesquisa agrícola do governo, junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Razões para o alto preço do alimento orgânico

O preço dos produtos orgânicos tende a ser maior que o dos convencionais. No Brasil, por exemplo, os produtos orgânicos são, em média, 40% mais caros que os convencionais. Já o trigo chega a custar 200% a mais e o açúcar, 170%. De acordo com o site da Food and Agriculture Organization das Nações Unidas (ONU), isto ocorre, no mundo inteiro, porque:

  • o fornecimento da comida orgânica é limitado se comparado à sua demanda;
  • os custos da produção dos alimentos orgânicas, normalmente, são maiores devido ao grande trabalho exigido e ao fato de que os fazendeiros não produzem o bastante, de um único produto, para baixar seu custo de forma abrangente; 
  • o manuseio do período pós-colheita de quantidades relativamente pequenas resulta em altos custos;

A FAO também observa que os preços da comida orgânica incluem não só o custo da produção, mas também uma escala de outros fatores que não existem no preço da comida produzida em larga escala e com compostos químicos, como:

  • melhoria e proteção ambiental e o fato de evitar futuras despesas com o controle da poluição;
  • padrões melhores de bem-estar dos animais; 
  • prevenção de riscos contra a saúde dos fazendeiros devido ao manuseio inadequado de pesticidas, evitando futuras despesas médicas;
  • desenvolvimento rural, gerando mais empregos nas fazendas e garantindo um rendimento justo e suficiente para os produtores. 

A FAO acredita que, conforme a demanda da comida e produtos orgânicos crescer, inovações tecnológicas e economia de escala reduzirão os custos da produção, processamento, distribuição e comercialização dos produtos orgânicos.

De acordo com o engenheiro agrônomo Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de agricultura orgânica da Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater - PR), “os preços ainda são distorcidos, quando o consumidor adquire produtos orgânicos, por exemplo, em supermercados, onde a diferença entre o preço recebido pelo produtor e o preço praticado varia de 100 a 300%. Em média o produtor recebe pelo produto 20 a 30% mais do que os produtos convencionais. Daí a nossa recomendação de que o consumidor adquira os produtos orgânicos nas feiras de produtores, lojas especializadas em produtos orgânicos e cestas oferecidas pelo produtor diretamente ao consumidor.” E, defendendo a justeza do preço que se cobra, afirma: “gostaríamos de ressaltar que o produto orgânico à nível de produção não é caro, na verdade muitas vezes, é o produto convencional que é ofertado muito barato”.

A discussão sobre preço leva a outra pergunta: seria possível alimentar o mundo somente com alimentos orgânicos? 

Além do preço mais alto, há uma outra crítica à comida orgânica: a de que não é possível atender à fome do mundo somente com esse tipo de produção. 

Os níveis de produtividade alcançados, que são mais baixos do que os da agricultura convencional, não dariam conta de resolver o problema da fome no mundo. Então, infelizmente não dá para prescindir dos agroquímicos. O que se costuma dizer é que é melhor morrer intoxicado do que de fome. Nem uma coisa, nem outra.

Em seu livro, “A Reconstrução Ecológica da Agricultura”, Carlos Armênio Khatounian, tenta clarear o debate, avaliando que nem a agricultura orgânica, nem a convencional têm, hoje, condições de suprir uma população humana crescente, visto que:

1. a agricultura baseada nos insumos industriais das grandes corporações está destruindo a base natural da produção - produtividades elevadas, mas fugazes, a abundância imediata do presente, às custas do futuro. 

2. A agricultura ecológica é ainda uma proposta que, apesar de seus grandes avanços, apenas engatinha. Representa um esforço de reconstrução em outras bases, preservando os recursos naturais de que a humanidade necessita para produzir alimentos. Ela representa o melhor que até o momento se alcançou na busca da sustentabilidade.

A busca de sustentabilidade continua, considera Khatounian, e a humanidade pode equacionar esses problemas conquanto difíceis sejam e colocá-los num cronograma de mudanças, desde que assim o deseje. 

fonte:Luciana Benevides.  "HowStuffWorks - Como funciona a agricultura orgânica".  Publicado em 03 de outubro de 2007  (atualizado em 16 de junho de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/agricultura-organica.htm  (25 de junho de 2011)

publicado por adm às 23:13 | link do post | comentar | favorito
Domingo, 29.05.11

Os alimentos orgânicos ou biológicos são cultivados sem o uso de fertilizantes sintéticos, pesticidas, herbicidas ou fungicidas. 
A agricultura biológica, de um modo geral, respeita o ambiente no seu todo. Os eco-produtos são potenciadores de uma vida mais saudável pelas suas qualidades nutricionais e isenção de resíduos tóxicos. 

De há algum tempo para cá tem-se registado uma crescente procura de produtos que actualmente designamos de ecológicos, biológicos ou eco-produtos, por privilegiarem o ambiente e potenciarem uma vida saudável.
Há poucos anos atrás não se pensava em tal coisa. Mas a sociedade alterou-se e com ela o ambiente que nos rodeia. O Mundo cresceu e adoptou um estilo de vida egocêntrico em que se privilegiam o conforto, a abundância e a celeridade de qualquer serviço ou bem. Com isto é sobejamente conhecida a degenerescência da qualidade ambiental e dos materiais que esse mesmo ambiente nos pode oferecer.
Assiste-se a um decréscimo das práticas tradicionais. Na sociedade actual pratica-se a agricultura intensiva para tentar fazer face à concorrência do mercado competitivo. Existem por isso alguns obstáculos de índole económico-social à implementação rigorosa da agricultura biológica. 
Embora os apoios financeiros estatais à agricultura biológica sejam cada vez maiores, são ainda insuficientes, levando os agricultores a perderem rendimentos e com isso, muitas vezes, a desanimar por dificuldades de subsistência inerentes a estas situações. 

Na base da obtenção de um produto de agricultura biológica estão vários pressupostos e critérios de extrema importância. Tais critérios privilegiam a preservação da natureza sob todas as suas vertentes.

A agricultura biológica deve ter em atenção que o "fabrico" do produto não envolva um consumo exagerado de matérias-primas não renováveis, até que minimizem a quantidade de matérias necessárias à sua produção e verifiquem se estes podem ser reciclados, reutilizados ou reconvertidos.
O produto não deve envolver no seu processo de fabrico grandes quantidades de energia, optimiza-se o produto no plano energético.
O agricultor e o comerciante, ao exporem estes produtos no mercado, deverão reduzir o mais possível a embalagem, utilizando embalagens normalizadas, produzidas com materiais que requeiram uma quantidade mínima de energia e que permitam múltiplas finalidades.
Deverá ser evitada a utilização de substâncias que sejam nocivas para o ambiente, bem como se devem procurar substitutos para elas. Além disto, devem ser tidos em consideração os aspectos ecológicos na escolha de materiais e equipamentos, e ao mesmo tempo visar a sua normalização, de modo a reduzir o número de peças utilizadas. No que se refere à maquinaria necessária à prática agrícola devem desenvolver-se produtos de maior longevidade, quer a nível funcional, quer a nível estético, e de mais fácil reparação e manutenção.
Actualmente a agricultura biológica é praticada em quintas biológicas e também por particulares. A Associação Portuguesa de Agricultura Biológica AGROBIO possui uma área de produção superior a 8 mil hectares.

Segundo a AGROBIO, a composição de produtos hortícolas biológicos comparativamente com produtos fertilizados com adubos químicos apresenta:

+ 18% de potássio
+ 18% de proteínas
+ 77% de ferro
+ 10% de cálcio
+ 13% de fósforo

fonte:http://www.centrovegetariano.org/

publicado por adm às 19:34 | link do post | comentar | favorito
Simplificando, a agricultura biológica é um sistema agrícola que procura fornecer-lhe a si, consumidor, alimentos frescos, saborosos e autênticos e ao mesmo tempo respeitar os ciclos de vida naturais.

Princípios

Para alcançar isto, a agricultura biológica baseia-se numa série de objectivos e princípios, assim como em práticas comuns desenvolvidas para minimizar o impacto humano sobre o ambiente e assegurar que o sistema agrícola funciona da forma mais natural possível.

As práticas tipicamente usadas em agricultura biológica incluem:

  • Rotação de culturas, como um pré-requisito para o uso eficiente dos recursos locais
  • Limites muito restritos ao uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos, de antibióticos, aditivos alimentares e auxiliares tecnológicos, e outro tipo de produtos
  • Proibição absoluta do uso de organismos geneticamente modificados
  • Aproveitamento dos recursos locais, tais como o uso do estrume animal como fertilizante ou alimentar os animais com produtos da própria exploração
  • Escolha de espécies vegetais e animais resistentes a doenças e adaptadas às condições locais
  • Criação de animais em liberdade e ao ar livre, fornecendo-lhes alimentos produzidos segundo o modo de produção biológico
  • Utilização de práticas de produção animal apropriadas a cada espécie

Cadeia de abastecimento

Mas a agricultura biológica também faz parte duma cadeia de abastecimento maior, que engloba os sectores de transformação, distribuição e revenda, e por último, o próprio consumidor. Cada elo desta cadeia desempenha um papel importante na geração de benefícios através dum vasto leque de áreas, descritas com mais pormenor noutro local deste website, incluindo:

  • Protecção ambiental
  • Bem-estar animal
  • Confiança do consumidor
  • Sociedade e economia

Cada vez que comprar uma maçã biológica no supermercado local, ou escolher um vinho produzido com uvas biológicas do menu do seu restaurante favorito, pode ter a certeza de que estes produtos foram produzidos de acordo com normas rigorosas, que visam o respeito pelo ambiente e pelos animais.

Normas

Na UE estas normas foram estabelecidas no Regulamento do (CEE) 2092/91 Conselho de 24 de Junho de 1991 relativo ao modo de produção biológico de produtos agrícolas e à sua indicação nos produtos agrícolas e nos géneros alimentícios.

Uma revisão detalhada do actual regulamento resultou em duas propostas da Comissão Europeia em Dezembro de 2005 para uma série de normas simplificadas e melhoradas: uma para a importação de produtos de agricultura biológica e outra para a produção e rotulagem de produtos de agricultura biológica. O regulamento para as importações Regulamento do Concelho 1991/2007 que altera o Regulamento (CEE) n.º 2092/91 relativo ao modo de produção biológico de produtos agrícolas e à sua indicação nos produtos agrícolas e nos géneros alimentícios, em vigor desde Janeiro de 2007.
A definição de produção biológica, o seu logótipo e sistema de rotulagem, estão contidos no Regulamento do Regulamento do Concelho relativo à produção biológica e à rotulagem de produtos de agricultura biológica, será aplicado a partir de 1 de Janeiro de 2009.

Logótipo e rotulagem

O Regulamento de agricultura biológica da UE especifica como deve ser feita a gestão das culturas e produção animal e como devem ser preparados os produtos alimentares para humanos e animais, de modo a poderem ostentar indicações referentes ao modo de produção biológico. A adesão ao Regulamento biológico da UE também é exigida para que os produtos possam ostentar o logótipo da UE para a agricultura biológica. É também obrigatório que esse rótulo contenha o código identificativo dos organismos de controlo que inspeccionam e certificam os operadores biológicos.

Este regime de rotulagem visa ganhar a confiança dos consumidores dos Estados-Membros da UE na autenticidade dos produtos de agricultura biológica que adquirem. O logótipo da UE destina-se a facilitar o reconhecimento dos produtos de agricultura biológica pelos consumidores e funciona de forma semelhante aos outros logótipos nacionais que poderá encontrar nos produtos do seu próprio país. Neste momento não é obrigatório que todos os produtos produzidos de acordo com o Regulamento Europeu de agricultura biológica tenham este logótipo, mas passará a ser quando o novo Regulamento entrar em vigor.

Factos

As estatísticas mostram que muitos consumidores da UE, como você, procuram produtos com estes logótipos e rótulos biológicos quando fazem compras ou pagam por uma refeição.

Os estudos indicam que o mercado dos produtos de agricultura biológica está a crescer entre 10 a 15% ao ano.

Visite a secção procura do consumidor para mais informações.

fonte:http://ec.europa.eu/

publicado por adm às 19:18 | link do post | comentar | favorito
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